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UMA TRISTEZA INFINITA

de Antônio Xerxenesky

13/01/2022 11h55
Por: Roberto Gonçalves
UMA TRISTEZA INFINITA

Li, após um comentário que vi em jornal de grande circulação, o romance: Uma Tristeza Infinita de Antônio Xerxenesky, um jovem doutor em teoria literária pela USP, de apenas trinta e sete anos.

 

     O livro, de grande densidade emocional, narra em suas duzentas e quarenta e cinco páginas, nas montanhas suíças, em um pequeno vilarejo, o drama vivido por um psiquiatra francês, Nicolas, que, em uma clínica psiquiátrica, trata , juntamente com outros colegas, de civis e militares, portadores de profundos traumas produzidos pelo Nazifascimo.

 

        A história se desenrola nos idos de 1952, após a segunda guerra mundial. Os pacientes da clínica apresentavam intensos sofrimentos psíquicos e, de uma forma ou outra, quer como civis ou militares, mesmo não sendo alemães, haviam, direta ou indiretamente, contribuídos com a guerra, em alguns casos, ajudados os alemães. Eram oriundos de toda a Europa.

 

        Nicolas, um psiquiatra respeitável, ateu, cuida de casos complexos, acreditando no poder da psicanálise, conversando com os pacientes, buscando no inconsciente a causa de tanto sofrimento. Olhando com muitas reservas, por considerá-lo agressivo, o tratamento, tão em voga, do eletrochoque.

 

         Sua esposa Anna, jornalista especializada em ciência, vai trabalhar em Genebra, onde cientistas desenvolvem estudos objetivando uma droga para minimizar o sofrimento psíquico. O marido, Nicolas, muito cético, vê com restrições o uso de tal inovação que, testada em alguns nosocômios psiquiátricos, obtém excelentes resultados, esvaziando-os.

 

          O médico, no início reticente, prescreve para seus pacientes escolhidos, obtendo, no caso de um deles, resultados fantásticos. As alucinações, como em um passe de mágica, desaparecem. O médico, atordoado pelo suicídio de um outro interno, escolhido para a droga experimental, e por se sentir  impotente em alguns outros casos, começa, também, a sentir uma melancolia sem fim, tendo  que fazer uso da medicação que via sob reserva.

 

          A guerra, produzindo traumas e sofrimentos, a clínica psiquiátrica e o uso de tratamentos inovadores , a tristeza, como doença, as alucinações, como fuga da realidade, e a terapia adequada, a ciência, como contribuição à felicidade humana, são temas trazidos neste livro, em abordagem ficcional, tendo como pano de fundo as montanhas gélidas de um vilarejo isolado,em um país neutro, da europa civilizada que ainda não aprendeu a convivência pacífica. 

 

             O sofrimento humano, a doença mental, o conflito da convivência, a busca da paz, são assuntos abordados na narrativa de Xerxenesky que parece buscar, neste romance exuberante, a compreensão ampla para o sentido do existir humano.

 

               A Tristeza, enquanto melancolia permanente, tem cura, ou faz parte do existir humano? Eis um assunto intrigante abordado nas entrelinhas do romance.

           

              O tratamento da dor psíquica é o tema central deste bom livro.

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