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Velhice

Aprendi, ainda, com sofrimento e dor, o valor do amor, da amizade e da família.

19/11/2021 14h24 Atualizada há 2 semanas
Por: Roberto Gonçalves Fonte: É promotor de Justiça aposentado e escritor
Velhice

A velhice, para mim, é bênção; é concluir da vida; é olhar o retrovisor, ver o passado com erros e acertos, dor e alegria, felicidade e tristeza. A velhice, neste novo começar, é contemplação, é mansuetude, é calma e introspecção.

Estar velho é alegria de ter filhos adultos, com quem me aconselho. É ter netas, em quem recomeço. É sentir a alegria incontida da família, de compreendê-la e de compartilhar a alegria e o sofrimento.

Estar velho, com lucidez e sensibilidade, é extremado conforto. Busco, no entardecer da vida, compreender a complexidade do existir humano. Compreender a dor, em suas múltiplas manifestações, quer afetivas, quer físicas, entendendo-a como aprimoramento do ser.

Estar velho é compreender, como processo de aprendizado, o ódio que separa, que segrega, que animaliza, entendendo-o como oportunidade para o exercício do perdão em sua dimensão infinita.

A sabedoria da velhice está na compreensão do fim e na aceitação de Deus, sem questionamentos.

A sabedoria da velhice é amar sem restrições; é perdoar sem medidas.

Compreender o fim, na finitude do existir, é sentimento de sabedoria. No acaso da vida, passamos a compreender a essência da vida, em sua dimensão de energia e espírito.

Tudo, na fase da velhice, passa a ter sentido. A dor nos leva à compreensão da fragilidade humana; a ingratidão, o valor imensurável do perdão; o orgulho nos faz entender a pobreza do espírito; a riqueza, farta e opulenta, nos faz refletir sobre a fome e a miséria, revelando a nossa pequenez ou a altivez.

O fim da vida, para o velho que aprendeu na dor, na ingratidão e na pobreza, o fez tão sábio que agradece aos que o fizeram sofrer, aos ingratos e à escassez de recursos, pela serenidade encontrada.

Os cargos ocupados são oportunidades de espargir o bem.

Encontra, na amizade, o elo que o liga do humano ao divino.

No encontro com o jovem, o velho que ainda é aprendiz do existir, ouve com atenção e respeito e fala com a serena firmeza de que nada é absolutamente verdadeiro.

Aprendi, ainda, com sofrimento e dor, o valor do amor, da amizade e da família.

Aprendi, também, que o amor aos filhos não tem dimensão, nem finitude.

Aprendi, ainda, que não se consegue, tal Charles Chaplin nos ensinou, agradar a todos, por mais que se esforce.

Aprendi que dor e alegria fazem parte do existir.

Aprendi que vale lutar por uma boa causa, mesmo que muitos não acreditem.

Aprendi que o diálogo é a melhor forma de enfrentar conflitos, e que tudo ao seu tempo será resolvido.

Aprendi que odiar não vale a pena e que o amor, por mais que o expliquemos, não vamos explicá-lo. Aprendi que sorrir, amar, perdoar e compreender nunca farão mal.

Aprendi que ser caridoso é a maior virtude do homem.

Aprendi e continuo aprendendo que viver é uma arte, arte do eterno aprendiz.

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