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Economia Arapiraca

Feira livre de Arapiraca; O fim do maior comércio ao ar livre após 113 anos

O progresso avançado impediu a superfesta arapiraquense de continuar exercendo seu papel na atividade do livre negócio, no centro comercial da cidade

08/09/2021 15h53
Por: Roberto Gonçalves Fonte: João Rocha
Feira livre de Arapiraca; O fim do maior comércio ao ar livre após 113 anos

A feira livre de Arapiraca se tornou uma gigante do comércio varejista liberal e foi um exemplo de desenvolvimento econômico para Alagoas e todo o Nordeste após 113 anos de ativas concorrências na atividade entre grandes, médios e pequenos negociantes. Os feirantes expandiram os negócios no Agreste alagoano de forma espantosa e simultânea, cuja origem remonta do ano de 1888, e representou a cultura popular por meio das atividades mercantilistas.

O progresso avançado impediu a superfesta arapiraquense de continuar exercendo seu papel na atividade do livre negócio, no centro comercial da cidade. Após longos anos de intensas atividades nas vendas de alimentos, eletrodomésticos, fumo em corda e industrializados, objetos de uso pessoal, remédios, mangaios, bebidas, confecções, ervas, calçados, jogos de passatempo, jogo do bicho, animais, bailes populares (forrós) e dezenas de atividades do gosto da população, todas às segundas-feiras,

O grande dia de se "ganhar dinheiro", como diziam as pessoas que batalhavam pelo "pão de cada hora". Por força da disciplina social, planejando melhorar a imagem da cidade, a então prefeita, Célia Rocha (PSDB), eleita para os períodos de 1997 a 2000 e de 20/01 a 2004, remanejou as vendas livres, do centro, para o bairro Baixão. Com essa decisão, extinguindo o trabalho de mais da metade (ou até 70%) o total de pessoas que trabalhavam no ramo. Em razão disso, a super.- feira, que semanalmente contava com um público vivo de 10 mil pessoas entre vendedores e usuários, perdeu seu potencial do varejo de forma surpreendente.

Na década de 1970, o famoso jornalista Tobias Granja, em pleno exercício da profissão, produziu uma enorme reportagem focando a importante contribuição do comércio livre desta cidade para a revista O Cruzeiro (Rio de Janeiro). Na matéria, amplamente divulgada no país, Granja criou o título de "Arapiraca, a Feira de 40.  Ruas". Na verdade, não era só de 40 mais de 50 o número das artérias tomadas pelos feirantes no exercício de suas atividades.

 

O epicentro dos negócios se estabeleceu, primeiro, no centro comercial, ocupando a praça Manoel André (Comercio), Ruas Anibal Lima, 15 de Novembro, Avenida Rio Branco, Largo Dom Fernando Gomes, Rua Estudante José de Oliveira Leite, Pedro Correa, Domingos Rodrigues (Feira do Peixe), 30 de Outubro, rua do Sol,  Dom Vital (Rua das madeiras), São Francisco, Praça Luiz Pereira Lima  Fernandes Lima, antiga favela por trás do comércio, daí se ampliando para os bairros Brasília, Cacimbas, Alto do Cruzeiro, Baixão, Baixa Grande, Canafístula, Capiatã, Primavera.

Pessoas vindas de Pernambuco, Sergipe e quase todos os municípios de Alagoas, do sertão ao litoral, vinham fazer compras na feira de Arapiraca, o que deixava a população bastante orgulhosa pela preferência recebida desse enorme contingente.

A feira da segunda maior cidade do Estado, foi reconhecida também como polo cultural que moveu a exposição para grandes nomes da música, como Hermeto Pascoal. A movimentação desta cidade disputava com Caruaru (Pe) o primeiro lugar como a maior do Nordeste, disputa essa que foi encerrada com o remanejamento dos feirantes que transformavam a cidade em dia de caos, já que o movimento era tão sufocante que impedia a população de circular à vontade pela área comercial. Economistas afirmam que Arapiraca perdeu um faturamento anual superior a R$ 200 milhões com o desmantelamento do seu comércio de varejo ao ar livre.

 

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