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Três anônimos

Procurador de Justiça

10/07/2021 09h35 Atualizada há 3 semanas
Por: Roberto Gonçalves Fonte: Dr, Geraldo Magela
Três anônimos

Em Arapiraca, de um passado recente, conheci três figuras do povo. Um deles, um homem circunspecto e de sorriso dócil, de meia idade, de origem alemã, não me recordo o nome, fotógrafo. Quando o encontrava, em batizados e em eventos festivos, sempre com sua máquina fotográfica, seu ganha pão, conversávamos um pouco. Ele sempre afável e solícito.

Sempre me perguntei, quem era aquele alemão, surgido ninguém sabe de onde, que morava só, em um hotel, na rua do comércio, que não tinha parentes, e que era de uma doçura incrível. Teria ele lutado na segunda guerra? Por que viera parar em Arapiraca? Ninguém sabia. Era um homem bom. Fotografava, simplesmente. Vivia disso. Todos gostávamos dele. 

Tempos depois, sinto falta dele. Não mais fotografava. Para onde teria ido?Para onde foi, não sei. Por que foi embora, não sei. O alemão discreto, de sorriso dócil, de máquina fotográfica pendurada no pescoço, de fala mansa, de repente fora embora. Senti sua falta. 

Um outro personagem, que falava inglês, alguns frases, sempre assim se apresentava, era o Rena, rei do Rango, e, como sempre, quando o encontrava, havia ingerido algumas cervejas, independentemente do dia ou da hora, e que se constituía em uma figura  que fazia parte de Arapiraca, ainda não violenta e onde as pessoas se conheciam.           

Rena, o Renato, excelente técnico de refrigeração, em passos trôpegos, voz embrulhada, com frases em inglês ininteligíveis, sempre se aproximava das pessoas,  assim que as encontrava, independentemente do lugar e as beijava. 

 

Renato, o Rena rei do rango, com seu falar embolado, seu inglês de frases feitas e não entendido, era um homem que, na simplicidade de sua existência, compôs a paisagem urbana, de um personagem único, de Arapiraca calma e interiorana.  Bom homem. Gostava dele.

 

Um outro, este pouco conhecido, era um cidadão que me fazia lembrar, por sua regularidade com que passava no escritório do Dr. Batista, nos mesmos dias e horários, o acendedor de lampiões, da poesia de Jorge de Lima, “ o mesmo que vem infatigavelmente / parodiar o sol e associar-se à lua....

 

Epitácio, figura magra, esguia, de uns cinquenta anos, infatigavelmente, sem falhar, todos os dias, passava no escritório de Dr. Batista, entregando os jogos da loteria, dando o resultado, e, ainda, sem que jogássemos, por ser contravenção, anunciando o “bicho” do dia. 

 

Ele ,Epitácio, anunciava a fortuna que nunca chegava. Propagava, com alegria, a esperança dos outros conquistar a riqueza. Será, hoje me pergunto, se ele tinha uma casa para morar?

 

Porém, notava que aquele homem, tão infatigável e tão regular, tão simples, e tão trabalhador, tinha uma felicidade que espargia e disseminava. Esperava a hora de sua chegada para absorver a sua magia da existência. 

 

Três personagens. Homens do povo que, sem querer, me ensinaram cada qual com o seu jeito de existir. Minhas homenagens a essas figuras anônimas, esquecidas no tempo.

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