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Blog Dr. Geraldo Magela Arapiraca

JOÃO BATISTA PEREIRA, O ADVOGADO

Foi prefeito de Arapiraca, nos idos de 1970/1972, época de seca no sertão e saque na cidade.

06/04/2021 18h57 Atualizada há 1 semana
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Por: Roberto Gonçalves

Conheci Dr. Batista, assim todos o chamavam, quando ele havia deixado de ser prefeito de Arapiraca, nos idos de 1974.  Advogava à época, em casa de seu pai, em uma pequena sala. A sala de espera era o alpendre da residência. Não tinha secretária.

Estava ali, portanto, por trás daquele homem calvo, de vestir simples, de fala mansa, o melhor advogado da cidade. Dr. Batista, também, tinha outras qualidades. Sabia ouvir. Fazia-o com extremada atenção. Sempre ouvia, nunca interrompia o interlocutor, mesmo já tendo ouvido várias vezes a mesma história.

Quando gestor municipal, assinou e teve participação decisiva na primeira faculdade de Arapiraca, a Fundação educacional do Agreste, hoje Uneal. Era um homem do viver simples.

Foi prefeito de Arapiraca, nos idos de 1970/1972, época de seca no sertão e saque na cidade. Época difícil. Não havia programas sociais. Dinheiro escasso.Saiu rápido da política. Pouco falava sobre este período. Não guardava rancor. Era um homem sensato.

Voltou à advocacia. Fazia-o com extremado zelo. Escrevia bem. Tinha uma boa biblioteca. Lia muito. Era um bom orador. Muito respeitado nas lides forenses. Era um diplomata no trato diário de sua atividade jurídica.

Conheci-o nesta época, onde em 1975, entregou-me a primeira causa, e, de forma generosa, para não me constranger, disse que era muito importante, naquela causa penal revisional, minha inestimável ajuda. Na realidade o ajudado era eu. Estudei bastante àquela revisão criminal, sendo acolhido em minha pretensão junto ao Tribunal de Justiça. Os primeiros honorários de advocacia que ganhei, repassados por aquele causídico humilde e sábio.

Dois anos após fomos sócios. Nos tornamos compadres. Apadrinhou minha nomeação para o cargo de promotor público. Eu era concursado. Permanecemos amigos até seus últimos dias.

Este homem, grande causídico. Bom prefeito. Conselheiro da OAB. Não tem, salvo engano, nenhuma homenagem da terra que muito amou. Nenhuma praça. Nenhuma escola. Nenhuma rua. Nenhuma sala na OAB Arapiraca. Simplesmente nenhuma homenagem, em que pese ter sido um homem que orgulha a terra de Manoel André. Quando faleceu, já era viúvo. Deixou dois filhos. Era um homem de bem.

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