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Libanês Benjamim Abrahão, escandalizou o presidente Getúlio Vargas com as imagens do bando de Lampião

De acordo com pesquisadores, cenas teriam sido gravadas nas caatingas alagoanas de Delmiro Gouveia alto Sertão de Alagoas

28/03/2021 11h46
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Por: Roberto Gonçalves
Libanês Benjamim Abrahão, escandalizou o presidente Getúlio Vargas com as imagens do bando de Lampião

Benjamin Abrahão  Botto foi das figuras mais importantes para manter viva a história do cangaço nordestino no Brasil e no mundo graças a sua coragem e obstinação. Foi o responsável pelo registro iconográfico do cangaço e de seu líder, Virgulino Ferreira da Silva — o Lampião. Abrahão morreu aos 48 anos, em Itaíba interior de Pernambuco assassinado em uma emboscada, foi morto covardemente com várias facadas.  

Morreu após ser agredido com quarenta e duas facadas, crime que jamais foi esclarecido, tanto na autoria como na motivação, donde especula-se ter sido mais uma das mortes arquitetadas pelo sistema, Outra versão para a motivação do crime seria o envolvimento do libanês com uma mulher casada. O trabalho de fotografia e filmagem de Lampião e seu bando, empreendido por Abrahão, envolveu também a ABA-Film, produtora estabelecida no Ceará, que cedeu treinamento e parte do equipamento necessário ao projeto.

Para a realização das filmagens, Abrahão contou com verdadeiro trabalho de aproximação junto ao bando, que fugia da perseguição das forças volantes de todos os estados do Nordeste. O primeiro encontro veio finalmente a ocorrer em um lugar chamado Bom Nome, onde o cangaceiro, desconfiado, primeiro realizou ele mesmo a filmagem do ex-mascate, em trecho que se perdeu, e só então consentiu ser filmado.

Fato registrado em 1937, um ano depois Lampião Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram assassinados no massacre de Angicos pela volante alagoana comandado pelo coronel João Bezerra. 

De acordo com pesquisas realizadas as cenas teriam sido realizadas em caatingas do Sertão de Alagoas entre os municípios de Olho D’água do Casado e Delmiro Gouveia. As características da caatinga reveladas anos depois pelo pesquisador, escritor e jornalista Robério Santos, um dos maiores pesquisadores do tema cangaço do Brasil, mostram grandes evidencias de que as filmagens foram realizadas nas caatingas do Sertão de Alagoas.

O próprio Lampião assegurou o testemunho, em um bilhete, de que todas as suas imagens eram produto do trabalho de Abrahão. As cenas filmadas por Abrahão Botto permaneceram esquecidos até serem redescobertos nos anos 1950, quando a Fundação Getúlio Vargas incorporou o acervo do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP)

Abrahão foi secretário do Padre Cícero e residiu várias anos na residência do sacerdote em Juazeiro do Norte e conheceu o cangaceiro Lampião, em 1926, quando este foi até Juazeiro do Norte a fim de receber a bênção do religioso. O Encontro entre Padre Cícero e Lampião teria ocorrido na residência do médico Floro Bartolomeu, deputado federal pelo Ceará e muito amigo de Padre Cícero. A casa de Floro Bartolomeu ficava fora da cidade. A família de Lampião chegou a morar em Juazeiro do Norte de acordo com os registros da história.

Abrahão retornou a Fortaleza, onde este primeiro sucesso permite-lhe obter mais rolos de filmes, e voltar para registrar os cangaceiros e todo bando nas caatingas nordestinas, sendo que o resultado dessa segunda incursão também se perdeu. Abrahão passou a ser considerado suspeito, pois além das filmagens, enviava matérias aos jornais, relatando suas aventuras - o seu conhecimento do paradeiro do bando era indício por demais forte de seu envolvimento com o bando de Lampião.

O próprio Lampião atestou com uma declaração de seu próprio punho a autentisidade das imagens feitas por Benjamim Abrahão, trabalho importante e histórico para a preservação da história do cangaço no Nordeste no Brasil e no mundo. O filme foi visto pela primeira vez por uma plateia restrita em Fortaleza e foi censurada pelos censores do então presidente Getúlio Vargas.

 

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