Segunda, 13 de Julho de 2020
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Cultura Palmeira dos Índios

Na cidade da Cultura, Casa Museu Graciliano Ramos está fechada há três anos

Prefeito Júlio Cezar comete descaso com a memória do Mestre Graça

09/03/2020 16h40
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Por: Roberto Gonçalves Fonte: Tribuna do Sertão

Desde quando o prefeito Julio Cezar (PSB) assinou uma ordem de serviço em agosto de 2017, a Casa de Graciliano Ramos está fechada em Palmeira dos Índios. A promessa de revitalização em seis meses ficou parada no tempo e ninguém sabe ao certo quando terminará e se realmente será finalizada.

Porém o que se vê, é que a cultura em Palmeira dos Índios seu maior bem patrimonial é tratada com desdém pela gestão do prefeito Júlio Cezar que em sua política pensa o setor de forma estreita, talvez com o mesmo naipe de Regina Duarte, onde o “pum do palhaço” é considerado um patrimônio imaterial.

Talvez inspirado pelo mesmo pensamento da ex-atriz, é que se viu em palmeira dos Índios atrações teratológicas divulgadas com ênfase pela gestão de Julio Cezar, como o circo de anões e o circo de touros.

Para a grande massa, sua gestão cultural foi baseada em apresentações de shows musicais nas três festas do ano (Carnaval, São João e Reveillon) e só, Júlio Cezar – imita os imperadores romanos dando circo ao povo, esquecendo o âmago da tradição da população palmeirense.

Até a festividade de Natal foi “importada” com os restos de cidades gaúchas, com tradições europeias, desprezando a verdadeira tradição popular nordestina .

Para ilustrar o tratamento cultural à cidade, recentemente o Museu Xucurús foi arrombado e após o furto, ali foi constatado que não se tinha sequer uma câmera para captar imagens dos criminosos  ou a presença da guarda municipal para garantir a segurança do prédio que abriga coleções históricas de famílias palmeirenses, incluindo vários objetos de arte, de valores inestimáveis.

IPHAN liberou a verba

A propagada e efusiva divulgação da reforma do imóvel que abriga um pequeno museu de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos está inacabada como tantas obras do prefeito Julio Cezar, que só conseguiu finalizar em sua gestão obras oriundas do Governo de Alagoas e com recursos federais garantidos na gestão anterior de James Ribeiro (2009 a 2016).

Julio Cezar, prometeu e não cumpriu até hoje a reforma da Casa de Graciliano

A promessa de Julio Cezar em 2017 (leia em realese divulgados na imprensa aqui) era que a obra da casa de Graciliano Ramos deveria ficar pronta em até seis meses. Já se passam quase três anos e a casa está fechada ao público.

Orçada em R$ 500 mil, sendo R$ 250 mil provenientes do Iphan (liberados no ato da assinatura da ordem de serviço, segundo informou a então presidente do Instituto Kátia Borgea) e os outros 50% de contrapartida da Prefeitura de Palmeira, um dos maiores símbolos culturais do Município é motivo de indignação de turistas que veem a Palmeira dos Índios conhecer a Casa do escritor e a encontram fechada.

O ex-ministro Aldo Rebelo é um destes, que em visita a Palmeira dos Índios, há mais ou menos 20 dias se deparou com a casa fechada e recebeu informações de vizinhos que a mesma já permanecia assim há quase 3 anos.

“É um absurdo o tratamento que estão dando a memória de Graciliano Ramos em Palmeira dos Índios”, falou o ex-ministro Rebelo a um dos vizinhos da casa do romancista.

A promessa do prefeito de Palmeira dos Índios era devolver ao município “os equipamentos culturais sucateados pela ação do tempo e, também, pelo descaso de gestões passadas”, porém sua promessa não foi cumprida.

“Modernizar a Casa Museu é devolver aos palmeirenses o que nunca deveria ter sido tirado. É resgatar a cultura e, também, os equipamentos culturais. Depois da reforma, promovida pelo Iphan, os pertences de Graciliano ficarão abrigados em uma estrutura moderna, onde serão exibidos trechos de filmes, livros e documentários referentes à obra e vida do escritor e ex-prefeito palmeirense”, disse o prefeito em 2017, mas até hoje não honrou seu compromisso.

Reforçando as palavras do prefeito, em 2017 a secretária de Cultura do município Isvânia Marques disse que a necessidade de abrir as portas do auditório da Casa Museu era “urgente”.

Há 3 anos no cargo, a secretária esqueceu da Casa Graciliano e não deu mais satisfações ao público sobre a reforma do imóvel, a não ser quando foi publicada na versão impressa da TRIBUNA DO SERTÃO a denúncia deste descaso e que pelas redes sociais tentou explicar responsabilizando o IPHAN pelo atraso.

“A reforma à Casa Museu Graciliano Ramos (sic) foi iniciada em setembro de 2017 e somente concluída no segundo semestre de 2018. O que lastimamos é que a cota destinada ao projeto museográfico tenha sido emperrada (DF), embora com esperança da retomada do Convênio para este semestre (IBRAN), segundo superintendente interino Sandro Gama (IPHAN-AL)”, disse.

A contratação para a reforma da Casa de Graciliano visava solucionar problemas patológicos da edificação, qualificar o espaço expositivo para abrigar de maneira satisfatória a nova museografia, o acervo bibliográfico, documental e iconográfico sobre vida e obra do escritor. Com a nova configuração, o museu iria restabelecer condições para seu funcionamento como equipamento cultural do município, podendo receber pesquisadores, estudantes e usuários espontâneos com melhor acolhimento.

Porém, uma obra que agora se revela concluída em 2018, encontra-se fechada por inércia de uma gestão que não sabe percorrer os gabinetes de Brasília – caso seja essa a verdade – para desentravar recursos para a abertura da casa que é responsabilidade da prefeitura.

Referência

Alagoas foi e é morada de grandes estrelas da literatura. É o caso de Graciliano Ramos. A casa onde morou se transformou em Museu no ano de 1973. O espaço guardava utensílios pessoais, fotos, capas de edições originais, vestuário e documentos, como um esquema de construção do livro Infância, de próprio punho, ou as versões originais em Braille de Angústia, que revelam um pouco da rica trajetória do escritor.

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